CODEX GIGAS - A BÍBLIA DO DIABO
Codex Gigas (latim para o Grande Livro ou Livro Gigante) é considerado o maior manuscrito medieval existente no mundo. A relíquia possui 92 cm de altura, 50,5 cm de largura e 22 cm de espessura, 75 kg e, atualmente, escrito em tinta de ninhos esmagados de insetos, e constituído por 310 folhas de velino (uma espécie de pergaminho, e neste caso feito a partir de pele de vitelo, ou jumento), o que daria um número de 160 animais para a elaboração do livro.
Este, que um dia já fora considerado também como a oitava maravilha do mundo, contêm em sua história toda classe de catástrofes, fatos bizarros, e um magnetismo sobrenatural sobre aqueles que de alguma forma, tiveram contato com este manuscrito. Exemplos claros seriam os poderosos do século XIII, século em que foi criado, que se tornaram obcecados e atormentados pelo livro durante o tempo em que ficaram em posse dele. Por ele, obstinadas buscas e perseguições por sua posse foram levadas a cabo, estas sendo inclusive comparáveis à buscas como as dos verdadeiros Livro de Toth e do Graal.
Em seu interior, trás antigos sortilégios, curas medicinais, fatos históricos da época, e é um único livro que contem o velho e o novo testamento juntos. Mas o verdadeiro “chamariz” deste manuscrito é a famigerada e enorme figura do Diabo em uma página inteira. Sendo o mesmo supostamente escrito inteiro por um monge beneditino condenado num monastério em Podlažice na Boêmia (atual República Tcheca), é intrigante que tal figura se encontre ali presente de forma tão detalhada e numa época de intensas perseguições por parte do despótico clero, e o que se tem até hoje são somente mitos e especulações em torno deste fato como será visto mais adiante.
Recentemente, o mesmo fora devolvido, a título de empréstimo, a cidade de Praga sendo que, ao fim Guerra dos Trinta Anos, o livro fora saqueado pelo exército sueco juntamente com o restante da coleção de Rudolf II, e desde então o mesmo se manteve na Suécia, na Biblioteca de Estocolmo até 2007. Em 24 de Setembro de 2007, ele foi levado a Praga e ficou em exposição na Biblioteca Nacional Tcheca até Janeiro de 2008.
Abaixo, estão alguns fragmentos sobre este mistificador, enigmático e misterioso manuscrito que até os dias atuais desperta reações adversas e uma intensa curiosidade em torno do mesmo, carregando consigo uma áurea magnética, sobrenatural e obscura envolta de fatos históricos marcantes e bizarros, nos quais eras e impérios decaíram perante a sua simples e genuína existência...
A Obscura Saga
A história do Codex Giga se inicia no ano de 1.230 num longíquo monastério na Boêmia. Segundo consta, um monge beneditino, que pertencia a uma ordem monástica conhecida como “os monges negros”, havia quebrado seus votos monásticos e, que por conta disso, estava a ser punido pelo alto conselho dos monges negros. Os monges negros usavam trajes negros a fim de simbolizar o luto ao mundo terreno, e entre seus votos mais fervorosos, incluíam-se: votos de pobreza, castidade, obediência irrestrita, e os mais terríveis suplícios em nome de “deus” como auto-flagelação, vestirem-se com roupas infestadas de pulgas, privação de sono, intensos jejuns, entre outros atos de “devoção” (ainda hoje existem seitas católicas que seguem estes mesmos “princípios”, como a conhecida “opus dei”). O ato pecaminoso cometido pelo monge parece ter sido algo realmente estarrecedor para a época, pois até hoje não se sabe o que motivou sua punição. Punições estas que incluíam: confinamento em solitária, excomunhão, fome e até mesmo a morte.
E, no caso deste monge, sua punição seria a morte na qual ele seria emparedado vivo. Num ato de desespero, ele suplica pela sua vida e promete o impensável aos seus superiores: dizendo ter tido uma inspiração divina, ele promete escrever o maior livro daquela época, que iria conter o velho e o novo testamento, além de todo o conhecimento humano para glorificar sua irmandade. E a fim de honrar a promessa feita, ele promete escrever este livro em uma só noite. Isso faz com que seus superiores zombem de sua promessa, mas, perante a grande insistência do monge, eles lhe cedem o direito de realizar tal ato, deixando bem claro o que lhe aconteceria caso a promessa não fosse cumprida...
Então, o monge começa a escrever sua obra incansavelmente página após página. Mas, com o passar das horas, o monge começa a se desesperar percebendo que ainda falta muito para a finalização do livro. E, percebendo que não conseguiria concretizar sua obra sozinho e até a manhã seguinte, quando chega à meia noite, ele faz uma oração não destinada a deus, ao qual devotou sua vida, mas sim ao Opositor: Satanás. Que, atendendo ao seu chamado, faz com que o monge concretize esta obra colossal guiado pela mão de Satã.
Daí a justificativa para a hipnótica ilustração do Diabo na página 290, medindo cerca de 50 cm de altura, como uma espécie de “homenagem” a este tão temido e incompreendido “co-autor”. Assim, caso seja verídico tal fato, pode-se dizer que o monge foi um verdadeiro escriba da escuridão inspirado por Satã a materializar este manuscrito que viria a causar tantos episódios históricos e violentos durante o tempo em que passou a ser uma real obsessão para aqueles que dele se apoderaram.
O Codex Gigas pelo Mundo
Para entender melhor toda essa áurea mítica e obscura que envolve a Bíblia do Diabo, é preciso entendermos também o ambiente no qual o mesmo foi criado. Na Idade Média, e aqui mais exatamente no século XIII, fora uma época afligida por Guerras, desastres naturais, peste, e com isso superstições paranóicas e atormentadoras, incluindo-se aí o ápice do cego fanatismo religioso. E foi justamente em meio a este capítulo enegrecido da história humana que o Codex Gigas atuou como a cobiçada relíquia dos poderosos ambiciosos, e também como o portador da reclusão, obstinação e conseqüente ruína dos poderosos, seus reinos e conquistas.
Ao final do século XIII, muitas décadas haviam se passado desde que a lenda sobre o monge que vendera sua alma ao Demônio para concretizar sua obra escrita fora conhecida pela Europa. Mas, a ordem que o possui nessa época se encontra a beira da falência. Então, para evitar uma catástrofe financeira, o monastério dos monges negros concorda em vender o Codex Gigas a uma fraternidade que, ironicamente, chamavam-se “os monges brancos”. Nesta época, ter em mãos a obtenção deste livro trazia status de honra, poder e prestígio entre os demais.
Sendo assim, o Codex Gigas é levado de Praga para o monastério dos monges brancos na cidade de Cedrec, onde o guardam cuidadosamente próximo a um cemitério sagrado que acredita-se que fora a terra do calvário, e onde no passado fora Golgota, onde jesus havia sido crucificado.
Coincidentemente ou não, pouco tempo depois da chegada do livro, aqueles que cuidavam do Codex Gigas ficaram em total ruína; assim, o bispo ordenou que o livro fosse devolvido imediatamente aos monges beneditinos. Mas, em seguida, o monastério dos monges brancos é afligido por uma das mais devastadoras e perturbadoras tragédias da história humana: a peste bulbônica, ou peste negra. A mesma se espalhou pelas regiões vizinhas, matando centenas de milhares de pessoas. Nessa época, a paranóia tomava conta do povo: médicos se recusavam a atender os doentes, e fanáticos religiosos clamavam em meio a loucura que isso seria um castigo de seu senhor. Há relatos ainda de famílias que renegaram seus entes queridos por pavor em relação a contagiosa doença, deixando-os morrer a esmo e inúmeros cadáveres não eram enterrados.
O cemitério ficara cheio de cadáveres, e conta-se que, ao final da peste epidêmica, o total de mortos totalizava cerca de mais de 30.000 cadáveres. Assim, o local fora transformado em uma catacumba.
O próximo capítulo sobre o poder atribuído ao Codex Gigas ocorre agora na Áustria, no ano de 1.565. O então príncipe da Áustria Rudolf II (18/07/ 1552 – 20/01/ 1612), está à espera da elaboração de seu horóscopo astral pelas mãos do alquimista, astrólogo, profeta francês e farmacêutico Miquèl de Nostradama (Michel de Nostredame), mundialmente conhecido como Nostradamus. Assim que é finalizado seu horóscopo astral em um mapa quadro, este previa a morte de seu pai e também sua posterior ascensão ao trono como Sagrado Imperador Romano.
O fato é que, após receber as previsões de Nostradamus, a mesma serviu como vazão para a obstinação de Rudolf II pelo Ocultismo. A essa altura, as histórias a respeito do Codex Gigas já haviam se espalhado pela Europa, e sendo assim Rudolf II cobiçava intensamente este famigerado livro. Então, aproximou-se dos monges negros em Praga, e ajudava-os com generosas doações financeiras, presentes, favores e demais artifícios, como uma ávida estratégia para a obtenção do livro que estava em poder dos monges. Rudolf II obteve sucesso em seu estratagema e os monges beneditinos cederam o livro a ele como um presente pelas ajudas ofertadas.
Após se apoderar do livro, ele convoca especialistas em seu reino para dedicarem-se exclusivamente as traduções das páginas do livro, inclusive a página na qual se encontra a figura do Diabo. Mas com o tempo, sua sorte mudaria ao revés. Não muito tempo depois da obtenção do livro, o rei torna-se uma pessoa anti-social, misantropa, paranóica e passa longos períodos isolado e recluso em seus aposentos, tamanha sua obsessão pelo artefato adquirido, além de se abater sobre ele fortes crises de melancolia, para a qual sempre teve uma tendência desde a infância. Seu reinado não demora a entrar em franca decadência, e ele se torna incapaz de reinar, perdendo o direito a coroa e expulso do trono por sua família. Rudolf II faleceu com seu reinado em ruínas, solteiro, e sem deixar herdeiros para que levassem consigo seu bom nome.
No ano de 1648, o exército sueco saqueia a biblioteca de Rudolf II localizada em Praga e vários espólios de guerra, levando também o Codex Gigas, talvez o único bem precioso ainda restante do ex-reino do falecido rei. De Praga, o livro é levado em um veículo gigante até a cidade de Stokolmo, na Suécia, à quase 1.500 km de Praga. O plano dos monarcas era apresentar o Codex Gigas à sua soberana, a Monarca Cristina, que na época fora a rainha reinante da Europa.
Até então, Cristina tinha 22 anos, e conta-se que, no dia em que nasceu, foi proferido que se ela sobrevivesse até a noite, ela estaria destinada à majestade. Seu pai, o rei Gustavo II, já havia tido dois filhos homens falecidos e, assim que Cristina nasceu, ele jurou educá-la, tratá-la e vesti-la como um homem para herdar o trono. E assim o fora: passada toda sua juventude em obediência à caprichosa extravagância de seu pai, até mesmo no dia em que fez o juramento como monarca, ela o fez como um rei, e não como rainha.
Assim que seu exército leva a ela o Codex Gigas, ela se vê fascinada com o colossal manuscrito, e ordena que o mesmo seja colocado como o livro principal na biblioteca de seu castelo entre os livros mais preciosos de seu catálogo. Mas, como já se esperava, mais uma reviravolta ocorre logo depois que Cristina apoderou-se dele.
Por motivos até hoje nebulosos e desconhecidos, em menos de uma década Cristina abdicou ao trono, converteu-se ao catolicismo e levou todos os bens valiosos que possuía com o objetivo de exilar-se em Roma. Curiosamente, o Codex Gigas foi o único livro que Cristina e seus súditos deixaram para trás...
E por lá o livro permaneceu por aproximadamente 50 anos. Não se sabe ao certo o que ocorreu em meio a todo esse tempo, mas sim o que aconteceu após este: em 1697, já sob o reinado do recém-falecido rei Charles XI, sem nenhum motivo aparente ou lógico o castelo é tomado por um incêndio. A família real entra em desespero levando às pressas tudo que conseguem recuperar, como bens materiais valiosos, os restos mortais do rei e boa parte da biblioteca. Por pouco o Codex Gigas não fora reduzido a cinzas neste incêndio, mas um servo conseguiu recuperá-lo e atirá-lo por uma das janelas do castelo, preservando assim a famigerada obra.
O incêndio teve proporções catastróficas, e aqueles que estavam responsáveis por impedir que o incêndio se alastrasse foram punidos severamente sob tortura em meio a um verdadeiro massacre.
Este é um dos últimos eventos conhecidos em torno deste mítico e sorumbático livro, pouco se sabe o que ocorreu depois, até que fosse levado à Biblioteca de Estocolmo, onde se encontra atualmente. Mas aqui fica nítido o porquê deste livro causar ainda tanta curiosidade e furor em torno dele até os dias de hoje, como levar inúmeras pessoas à Biblioteca Nacional Tcheca no dia de sua exposição e se tornar manchete de jornal na mesma ocasião. Deixando bem claro para nós algo que o homem comum tenta desesperadamente reprimir, mas nunca conseguiu de fato esconder a verdade irrefutável: o seu eterno fascínio e interesse pelo Demônio.
O Codex Gigas sob a ótica da Ciência
Nos últimos anos, vários especialistas também têm voltado sua atenção à Bíblia do Diabo. Sob os estudos e visões céticas e meticulosas voltadas a ele por parte da ciência, descobertas intrigantes e reveladoras foram feitas na Suécia por especialistas em escrita, pergaminhos antigos, entre outras qualificações. A maior parte desses estudos foram realizados na Biblioteca de Stockolmo, sob forte vigilância dos responsáveis por guardar o manuscrito.
Após várias e minuciosas análises forenses, testes e diversas especulações, a “dissecação” deste extraordinário artefato pelas mãos periciais científicas trouxe revelações concretas e até mesmo conclusivas em relação do que seja mito e do que há de verdadeiro em toda história que circunda a existência do livro. Entre estas descobertas, chegaram-se as seguintes conclusões:
- Comprovou-se que o Codex Giga fora totalmente escrito por um único autor e com tinta de ninhos esmagados de inseto. Pois na era medieval, os tipos principais de tinta usados pelos monges eram desse tipo e as tintas feitas de metal. E cada monge possuía sua técnica específica de escrita e não costumavam misturar tintas em seus escritos. Então, baseado nisso e também na consistência caligráfica, reafirma-se a tese de que todo o manuscrito fora redigido por um único autor.
- Concluiu-se, numa reconstituição exata baseada na escrita do século XIII (utilizando-se de um pergaminho do mesmo tamanho encontrado no livro e escrito com uma pena), que o tempo estimado para o término de um livro como este por um só escriba seria de aproximadamente 5 anos. MAS isso se o escriba o escrevesse sem quaisquer tipos de intervalos que fossem: na reconstituição, provou-se que, sob tais circunstâncias, uma linha seria escrita em 20 segundos, uma coluna em 30 minutos, e uma página em uma hora. Pois, para organizar o livro todo, isso incluiria aproximadamente mais 5 anos. E a de se levar em conta também: a elaboração de iniciais decoradas, os detalhes em todo o livro, as correções, e até mesmo suas atividades cotidianas para com o monastério, atividades essas que deviam ser cumpridas rigorosamente. E os monges tinham permissão para escrever somente uma certa parte de seu tempo, para que isso não influenciasse em suas atividades na irmandade. Somando-se tudo isso, levaria entre 25 e 30 anos para um livro dessa magnitude ficar totalmente pronto. Fora também as condições e ao ambiente do século XIII na época (pouco conforto, sem iluminação, tudo isso influiria nas condições físicas do monge...), e também é sabido que, para os monges condenados, escrever livros e textos seria uma forma de expiar os seus pecados perante sua ordem monástica. E o interessante no Codex Gigax é a ênfase que se dá em textos que tratam no tocante a assuntos como: cuidar e proteger exaustivamente do corpo, da mente e da alma. Então, além de reforçar a tese do livro ter sido redigido por um único autor, o mito sobre a lenda do Demônio guiando o monge para que o mesmo terminasse sua obra em uma noite cairia por terra aqui para os mais supersticiosos. Mas, então, de onde surgiu tal lenda??
- Há de se lembrar que a paranóia e o pavor perante o simples mencionar do nome da Besta era capaz de causar as mais bizarras histerias e as mais fantasiosas histórias, e conseqüências graves a quem fizesse qualquer tipo de menção ao mesmo. E justamente tomados por pensamentos supersticiosos que muitos se perguntam: por que somente a página contendo a figura de Satã aparece com traços nítidos de queimado, por conta do incêndio que ocorreu em Estocolmo em 1697? Pois é realmente curioso que nas demais páginas não existam traços de tinta derretida, e nem mesmo as bordas quebradas ou curvadas... Para os mais supersticiosos, este é um claro sinal de influência demoníaca. Mas, segundo a análise científica, tal sombra nesta página não seria nada mais do que um efeito causado pela luz: pois, devido a exposição aos raios ultra-violetas sobre o pergaminho que era feito de pele de animais, isto produzia uma poderosa atração resultando na sombra sobre esta página. A razão específica para ser exatamente nesta página que tal efeito aparece seria simplesmente que esta página fora a mais contemplada do que qualquer outra e, portanto, fora a mais exposta, ficando então mais suscetível aos efeitos da luz.
De qualquer forma, esta ilustração chega a ser incomum e mesmo excêntrica, vista que é diferente em diversos aspectos: além do aspecto amador do desenho, nesta figura Satã aparece preso e como que pronto para atacar, e não presidindo um Inferno imerso em labaredas e enxofre como era comum se ver nas pinturas medievais. Ainda que influenciada pela visão cristã, já que traz todos os clássicos elementos dessa “demonização”: os chifres, a pele escamada, as garras e os cascos com aspectos tortuosos e grotescos... E é também no Codex Giga o único livro no qual aparece a figura do Diabo junto à conjurações demoníacas, nunca encontradas em nenhuma outra bíblia ou outro texto bíblico conhecido. Nesta mesma página, é descrito um ritual de conjuração demoníaca bem detalhada que, para os especialistas, mais se parece uma espécie de “auto-exorcismo”, como seu o próprio autor estivesse tentando se redimir e expurgar-se totalmente de seus Demônios interiores. A conjuração é descrita como: o possuído em seu leito recebendo as ditas conjurações, enquanto o sacerdote, mantendo-se de pé, realizando uma série de liturgias fazendo o sinal da cruz sobre o possuído, ousa chamar o Demônio pelo seu próprio nome, e suas hostes infernais por seus nomes latinos. Ele conta a história de jesus, seus anjos e discípulos durante o ritual de conjuração e, ao final, ordena que os espíritos malignos libertem o “cordeiro de deus”. Na época, eram comuns práticas de conjurações e exorcismos àqueles que se diziam afligidos e, segundo relatos da época, eram de fato terríveis.
Sendo assim, tudo leva a crer que sim, principalmente esta parte do livro fora escrita por um monge solitário pagando sua penitência numa espécie de auto-conjuração para se purificar diante de sua irmandade, mas isto ainda não explica a famigerada e hipnótica figura do Diabo, e nem revela o enigmático autor de tal façanha. Então, quem seria o recluso autor de tal obra atemporal que se manteve inabalável ao tempo, às tragédias e as interperies em torno do mesmo?
Conclusão
De fato, chegou-se a conclusão que a obra toda fora concretizada por um único escriba pelas exaustivas pesquisas dos investigadores forenses baseados na escrita regular, espaçamentos, padronizações, ilustrações, entre tantos outros detalhes. Agora, permaneceria para sempre o autor de tal obra para sempre nos recônditos mais sombrios do anonimato? Bem, aqui, iremos por partes.
Após a descoberta acima, descobriu-se também que a lenda em torno do nome “A Bíblia do Diabo” pode girar em torno de uma interpretação errônea com uma única palavra latina encontrada no livro chamada: “inclusus”, que significa “inclusão”, ou “reclusão”. Ou seja, seria a escolha de um monge ter escolhido passar a sua vida isolado e em reclusão em seu monastério para a realização de sua grande obra, no caso, a realização do Codex Giga. E, passando-se os anos, os povos passaram a interpretaram-na como uma forma de punição da época, no caso, a de ser emparedado vivo, como fora descrito no texto. E mal entendido o qual, pra variar, a igreja não fez questão alguma de desfazer (qualquer alusão a interpretações bíblicas duvidosas que houveram em relação a nomenclaturas como Lúcifer e Satã aqui NÃO é mera coincidência...) E mesmo no Codex Cigas, NÃO EXISTE QUALQUER MENÇÃO ou prova de que o tal monge tenha agido ou pensado de forma contrária aos princípios de sua irmandade ou aos seus votos eclesiásticos. Provavelmente a igreja católica assim difamou o livro por conta da famosa figura do Diabo, como se já não tivessem milênios de escândalos sexuais, genocídios, estupros, doenças, alianças nazi-fascistas, corporações multibilionárias, e casos de pedofilia para encobrir, para se preocuparem em criar polêmicas com uma singela figura assustadora antiga em um livro...
E, já que o livro fora feito por um monge beneditino, o porquê da figura do Diabo? O que fica claro ali é o contra balanço, a luta do bem contra o mal, vista é claro, sob a ótica clerical da época, o que não deixa de ser interessante as formas como são expostas as gravuras por exemplo, exemplificando as batalhas infernais do bem contra o mal, como em seu último solo de batalha, e as duas últimas escolhas cedidas à humanidade.
Por fim, após minuciosos exames, numa lista na parte final do livro é encontrado um nome em um crédito póstumo, que levaria a crer quem seria o autor deste manancial, mas isto não passa de outra especulação. Nesta lista, ao final do livro, é encontrado o nome: "Hermanvs Monarcvs Inclvsvs". Que na prática poderia ser: "Herman, o monarca recluso". Ou seja, o monge que quis passar a vida sozinho isolado em seu monastério para devotar-se a realização da maior criação de sua vida.
Mesmo com tantos ilustres protagonistas como poderosos reis, monarcas e imperadores, nenhum deles foram tão expressivos em sua história como o próprio autor anônimo do Grande Livro quanto a sua própria lendária e famigerada obra: o Codex Gigas.
Texto por Éric Tormentvm Aeternvm XVI/XIII







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